quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Como resolver conflitos entre pais e filhos na adolescência?


A adolescência é uma das fases mais difíceis da relação entre pais e filhos, que geralmente travam uma complicada guerra entre quem busca permissão/aprovação e quem proíbe/desaprova. Por conta disso, este período da vida costuma ser chamado de “aborrecência”.

Os pais geralmente se sentem aborrecidos porque é nesta fase que os filhos começam a questionar tudo o que aprenderam durante a infância — desde a forma de se vestir e se comportar, até os valores e visão de mundo. É neste momento que os conflitos começam a surgir: os pais encaram esta nova forma de ver o mundo como desaforo, os filhos são vistos como revoltados e rebeldes e, por não serem compreendidos, a rebeldia acaba se tornando uma realidade.

Nesse conflito, é importante não cometer o erro de tentar encontrar um culpado. Essa é uma etapa nova e desconhecida tanto para pais quanto para os filhos, que devem superar as diferenças sem desgastar a relação familiar. Para evitar brigas desnecessárias, é fundamental ter Inteligência Emocional para administrar os conflitos com consciência.

Inteligência Emocional: como resolver conflitos entre pais e filhos adolescentes

  • Tenha diálogos produtivos

Uma vez que os pais já passaram pela fase da adolescência, é comum que eles falem coisas como “já passei por isso muito antes de você nascer”. Esta atitude, em vez de demonstrar compreensão, apenas expõe uma interpretação baseada em experiências diferentes e que foram vividas em outro contexto. Pais que respondem dessa maneira impossibilitam que o adolescente reflita a respeito de sua própria vida.

Como trazer consciência à situação: tenha em mente que você não pode tentar proteger o adolescente ou impedir seu sofrimento. Quanto mais você fizer isso, mais ele sofrerá na sua ausência, tornando-se um adulto inseguro e dependente. Portanto, ao falar sobre suas experiências, não se imponha e sempre peça a opinião do adolescente. Levante possibilidades, mas deixe que ele faça as suas escolhas.

  • Saiba que seu filho cresceu

É durante a adolescência que aparecem os primeiros namorados, e os pais sentem que perderam a atenção exclusiva dos filhos. Muitos pais têm dificuldades de aceitar que o filho cresceu e, inconscientemente, acabam criando regras e colocando limites somente para aprisionar e manter a cria por perto.

Como trazer consciência à situação: perceba se as regras e limites que você está impondo são para proteger seu filho ou para proteger a si mesmo. Lembre-se que o adolescente está na fase de experimentar e descobrir coisas novas, e este processo é muito importante para seu crescimento e desenvolvimento. Portanto, não dificulte as situações.

Seu filho não lhe amará menos porque está namorando, pois essas são formas de amar totalmente diferentes. Além disso, é fundamental confiar no adolescente sem precisar ficar de vigia: quando ele começar a sair, por exemplo, apenas certifique-se de que ele está frequentando um local seguro.

  • Seja quem você realmente é

Você não é perfeito e, certamente, comete erros, sente tristeza, raiva, medo e tem diversas limitações e fraquezas. Não tente manter a imagem de herói que seu filho enxergava na infância, pois é justamente nessa fase que ele começa a perceber os pais como realmente são: pessoas com todos os defeitos e qualidades. Quanto mais você tentar parecer o que não é, mais o adolescente perderá a confiança em você.

Como trazer consciência à situação: seu filho não deixará de lhe amar porque você comete erros. Comece aceitando suas limitações e suas emoções, sem escondê-las. Fale sobre como você se sente, pergunte como seu filho está e sempre tente lidar com as emoções de forma saudável e construtiva.

  • Seja exemplo

É muito comum encontrar pais que não largam o celular por um minuto, mas falam para os filhos usarem menos equipamentos eletrônicos. Ou então pais que exigem respeito, mas vivem brigando entre si. Lembre-se que os filhos repetem os comportamentos dos pais, e aquela velha frase “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” só acaba com a sua credibilidade.

Como trazer consciência à situação: observe se suas atitudes estão de acordo com as coisas que você cobra dos seus filhos. As pessoas não mudam com conselhos, mas com exemplos.

  • Direcione seu foco

Na adolescência a tendência é que aumentem as cobranças em relação aos estudos, amizades, hábitos e à construção do futuro. Nesse contexto, muitos pais acabam criticando, exigindo e cobrando em excesso. Como resultado, estabelecem uma relação rígida, tensa e que deixa as conquistas em segundo plano.

Como trazer consciência à situação: Faça críticas construtivas, sempre explicando suas exigências e cobranças. Jamais utilize frases como “faça isso porque sou sua mãe e estou mandando”. Se houver castigo, explique as razões exatas para a punição. E sempre elogie e reconheça quando o adolescente acerta. Lembre-se: “não fez mais nada que a sua obrigação” não é uma forma de reconhecimento.

  • Entenda comportamentos e hábitos diferentes

Seu filho está chegando em casa com cheiro de bebida, começou a fumar e tem amizades que você desaprova. Você proíbe que ele faça tudo isso, ele mente. Você descobre e castiga, ele mente ainda mais. Você não quer saber as razões, você simplesmente não aceita e causa ainda mais revolta nos filhos.

Como trazer consciência à situação: Antes de proibir qualquer coisa, converse com seu filho, perceba até que ponto esses comportamentos têm sido prejudiciais e entenda que algumas escolhas do adolescente estão fora do seu controle e fazem parte do aprendizado. Em vez de proibir, converse, respeite as escolhas do adolescente e, se perceber que a situação está saindo do controle, procure ajuda profissional.



Fonte: SBIE

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Resistência a mudança: como orientar um adolescente a rever seu comportamento


A adolescência é um período de intensas modificações e, por esse motivo, esta é uma fase da vida que costuma ser muito complicada para a maioria das pessoas. Isso porque os hormônios e mudanças físicas/cognitivas do jovem estão a todo vapor, e as constantes e intensas transformações vivenciadas por ele acabam influenciando diretamente em sua vida social, escolar e familiar.

Estar na metade do caminho entre a infância e a idade adulta faz com que diferentes necessidades comecem a surgir e, por mais que a maturidade do adolescente ainda não esteja desenvolvida a ponto de ele ser capaz de tomar grandes decisões por conta própria, suas vontades individuais aparecem de maneira muito intensa. Este é um contexto que pode gerar conflitos, especialmente com figuras que representam autoridade — como pais e professores.

Como consequência dessas mudanças, o adolescente pode apresentar um comportamento resistente às mudanças que estão acontecendo em sua vida, seja pelo medo do desconhecido ou pela insegurança que é normal desta fase da vida. O desenvolvimento da Inteligência Emocional durante a adolescência pode ser muito benéfico para o jovem, pois possibilita que ele ressignifique traumas e entenda quais os gatilhos que geram comportamentos de resistência. Dessa forma, o indivíduo não carrega bagagens emocionais negativas para vida adulta.
Como orientar um adolescente resistente a mudanças?


Permita que ele viva as próprias experiências


Tenha em mente que é impossível evitar que os adolescentes tenham experiências frustrantes ou que tragam sofrimento. Muitas vezes, é importante que eles convivam com o fracasso e com as decepções para que possam desenvolver segurança e independência na vida adulta. Lembre-se: os erros são fundamentais para o processo de evolução e amadurecimento do ser humano.


Dê exemplo


Os filhos repetem os comportamentos dos pais e, por isso, é importante que você observe suas próprias atitudes no ambiente familiar, sempre analisando se elas estão de acordo com aquilo que você cobra do adolescente.


Critique de forma construtiva


É natural que as cobranças aumentem durante essa fase da vida: empenho nos estudos, amizades construtivas, hábitos saudáveis e foco na construção de um futuro estão entre os tópicos que mais causam pressão sobre os adolescentes. Neste contexto, pode acontecer de os pais exagerarem nas críticas e cobranças, levando tensão ao relacionamento.

Para evitar que isso aconteça, é preciso ter cuidado com a rigidez no relacionamento com seu filho e não deixar que as conquistas do jovem fiquem em segundo plano. Aposte sempre em críticas construtivas e explique o motivo das suas preocupações.


Trabalhe a insegurança do jovem


A resistência a mudança está diretamente relacionada à insegurança, e a visão dos adolescentes sobre seus próprios temores pode ficar distorcida durante essa fase da vida, fazendo com que os problemas pareçam ainda maiores do que realmente são. É preciso muito diálogo e orientação para que o jovem entenda que encarar seus medos é fundamental e que fugir de situações que precisam ser enfrentadas pode ser muito mais doloroso e prejudicial. Trabalhe junto com o jovem para que ele possa conhecer sua própria personalidade, além de forças e fraquezas.


Fonte: SBIE

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Vício em jogos: como conversar com filhos que exageram na vida virtual


O uso excessivo de eletrônicos — computador, vídeo game, smartphones e tablets — é cada vez mais comum entre crianças adolescentes. Desde muito pequenas, as crianças têm acesso e aprendem a manusear esses aparelhos sem nenhuma dificuldade, e este hábito pode acabar virando um vício que prejudica a saúde e a vida dos pequenos.

Rodrigo Fonseca, fundador e presidente da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional (SBie), recomenda que os pais fiquem sempre atentos aos horários de uso e à quantidade de tempo dedicado aos tablets e smartphones. “É importante estabelecer horários e momentos para se conectar ao mundo virtual e, assim, evitar danos à saúde e à vida escolar da criança”, orienta Fonseca.

Um estudo realizado pela Academia de Pediatria dos Estados Unidos aponta que não é recomendado ficar mais de duas horas por dia utilizando eletrônicos para fins recreativos. Isso porque crianças que ultrapassam este tempo correm o risco de ficarem sedentárias e desenvolverem uma série de doenças, além de se afastarem dos amigos e das brincadeiras reais.

Outra pesquisa desenvolvida pela Faculdade de Educação da Unicamp, em Campinas, aponta que crianças que abusam dos aparelhos eletrônicos brincam muito pouco. Como consequência, é observado um atraso no desenvolvimento infantil, visto que a criança não tem uma rotina com horários bem definidos — o que afeta o ritmo de construção do desenvolvimento cognitivo. A pesquisa foi desenvolvida com crianças entre 8 e 12 anos que ficam mais de quatro horas em frente a uma tela.

Por que o abuso tecnológico prejudica o desenvolvimento cerebral?

Até os dois anos de idade, o cérebro de uma criança triplica de tamanho, e o órgão se desenvolve rapidamente até que o indivíduo complete 21 anos. Esse desenvolvimento é determinado por estímulos ambientais, e a exposição excessiva às tecnologias afeta o desenvolvimento e pode causar déficit de aprendizagem, além de impulsividade e atraso das funções cognitivas. Os excessos de estímulos podem eliminar trilhas neurais no córtex frontal e contribuir para o déficit de atenção, diminuindo também a memória e a concentração.

Exemplo dos pais pode desencadear o vício nas crianças

Os adultos estão cada vez mais presos à tecnologia, e isso naturalmente gera uma falta de atenção com as crianças. É praticamente impossível encontrar uma pessoa que nunca tenha checado os e-mails durante um momento em família ou deixado um eletrônico com a criança para conseguir um momento de sossego.

Este tipo de atitude gera um ciclo vicioso, em que as crianças se apegam aos dispositivos eletrônicos por não terem a atenção necessária dos pais, e o hábito pode resultar em dependência ou vício em jogos.

Para evitar o problema, é fundamental estimular os filhos a participarem de brincadeiras no mundo real, o que contribui diretamente para o desenvolvimento social e motor dos pequenos. Além disso, brincar com outras crianças estimula a criatividade, promove competências afetivas e ensina valores como a importância de compartilhar e cooperar. Crie meios para que seus filhos tenham mais oportunidades para brincar ao ar livre, evitando o abuso dos eletrônicos.


Fonte: SBIE

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Psicologia positiva foca no lado bom da vida


Já parou para pensar que os desafios que encaramos diariamente são uma forma de superação e de fortalecimento? A partir desse princípio, a psicologia positiva propõe uma nova perspectiva para os problemas do dia a dia.

O norte-americano Martin Seligman criou o conceito a partir do desejo de entender as origens da felicidade. Em sua obra "Felicidade Autêntica", o psicólogo afirma que, para alcançarmos esse estado de espírito, é preciso um cultivo diário, com pensamento positivo, gentileza e bom-humor.

Entenda a psicologia positiva

A Organização Mundial da Saúde define "saúde" não apenas como um organismo livre de doenças, mas, sim, como um estado de bem-estar pleno, incluindo os campos físico, social, psíquico e espiritual.

A psicologia positiva tem como principal objetivo o estudo das emoções, dos traços individuais, das relações e de instituições positivas. Ao contrário da psicologia tradicional, esse campo se concentra nas coisas boas para reparar o que não vai tão bem. O foco não está nos problemas, especificamente.

Muito mais que ser uma pessoa otimista, a psicologia positiva propõe ao paciente a identificação do que realmente o torna feliz, tanto na investigação psicológica quanto no campo das neurociências. A novidade nesse tipo de abordagem é utilizar uma metodologia científica, e não receitas de autoajuda para desfrutar de mais bem-estar.

Outro grande desafio dos profissionais é conscientizar o indivíduo sobre a diferença entre o prazer e a felicidade. Enquanto o primeiro é momentâneo, gerado por descarga de dopamina, o segundo é um estado pleno e muito mais complexo de verdadeira satisfação.

O precursor da psicologia positiva, Martin Seligman, criou uma lista de cinco elementos essenciais para a obtenção da felicidade plena e da sensação de bem-estar. São eles:

1. Emoções positivas como paz, gratidão, inspiração e prazer

2. Compromisso e engajamento com situações, atividades e tarefas

3. Relacionamentos positivos com aqueles que nos rodeiam

4. Significado ou propósito ao ir em busca de algo que é maior que nós mesmos

5. Realização ou conquista de um objetivo.

Abra as portas para a felicidade

A felicidade depende muito mais de nós mesmos do que se sabia anteriormente. A psicologia positiva chega para descartar o velho pensamento de que o campo da mente está associado apenas no conserto de danos. Ele também garante a conquista de mais bem-estar.

Lidamos com diversos desafios, problemas e até mesmo derrotas ao longo da vida. Cabe a cada um de nós ter confiança e persistência suficiente para criar uma nova perspectiva, transformando o que deu errado em um novo aprendizado.

As emoções positivas não só refletem na qualidade de vida, mas, também, no fortalecimento de nossos recursos intelectuais, das relações sociais e da saúde física e mental.


terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Bullying nas escolas

O bullying pode ocorrer em qualquer contexto social e tem por característica ser um ato de violência física ou psicológica, feita intencional e repetidamente. Mas, como identificar um caso de bullying escolar e qual postura deve ser adotada?! Foi sobre esse assunto que falei em entrevista ao Jornal Band Minas. Confira!


terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Palestra

Palestra sobre Prevenção ao Suicídio para Pais, no Colégio Noeme Campos.

 Pais trabalhem a escuta de vocês, isso é fundamental para perceber que algo não vai bem.



quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Na mídia!



Crianças adoram natal e Papai Noel. Mas nem sempre. É que algumas tem medo do bom velhinho e choram muito ao vê-lo nos shoppings nessa época do ano. Foi sobre esse assunto que falei em entrevista ao Jornal da Record, pela TV Record Minas. Confira!