Frente ao modelo contemporâneo de família, homens encontram espaço para assumir funções que antes eram atribuídas às mulheres e conquistam relação mais próxima com os filhos
Em um passado recente, trocar fralda e fazer mamadeira eram tarefas exclusivas da mãe. O pai assumia o papel de provedor da família, e nada mais. Agora, a história mudou. O homem participa cada vez mais da rotina dos filhos e divide com a mulher todas as responsabilidades em casa.
Na visão da psicóloga Roneida Gontijo, o envolvimento dos pais com os filhos cresceu depois que as mães decidiram investir na vida profissional e encarar o mercado de trabalho. Isso fez surgir um novo formato de família, em que homens e mulheres passam parte do dia longe de casa. Resultado: as atividades precisam ser divididas entre o casal. “Pai moderno acompanha de perto a gravidez, acorda à noite para fazer mamadeira, dá remédio quando o filho está doente, leva e busca a criança na escola, participa das reuniões escolares e ainda tem que saber fazer comida”, enumera.
Apesar de observar que as mulheres ainda dedicam mais tempo à casa e aos filhos, a especialista enxerga que, em um futuro próximo, as atividades serão divididas igualmente entre pai e mãe. Incluindo as tarefas domésticas. A mudança não se justifica apenas por ser uma exigência da sociedade, mas pelo crescente interesse dos homens em participar da vida dos filhos. “Eles estão muito mais preparados para exercer essa função, inclusive se sentem realizados com isso. Já ouvi pai dizer que, se pudesse, amamentava os filhos. Acho fantástico ver essa necessidade de participação.”
Para os pais modernos, o filho está sempre em primeiro lugar. Tanto que eles se sentem motivados a ganhar dinheiro para dar boas oportunidades à prole, e não simplesmente para garantir o sustento da família. “Antigamente, o pensamento era trabalhar para pagar as despesas básicas e deixar uma herança. Não pensavam muito na educação e no apoio emocional. Hoje em dia, isso mudou”, comenta a psicóloga.
Por falta de tempo, muitos pais não conseguem participar como gostariam da rotina dos filhos. Roneida ressalta, no entanto, que o que importa é aproveitar o momento disponível, mesmo que seja pouco. “Para o fortalecimento emocional, não precisamos de muita coisa. São atitudes simples, que qualquer um pode fazer, basta ter disponibilidade”, pontua. Levar e buscar na escola, preparar um lanche, escovar os dentes ou ajudar em qualquer outra atividade do dia a dia é muito mais transformador que tentar se aproximar oferecendo um presente ao filho.
APROXIMAÇÃO
O pai demonstra dificuldade em participar da rotina dos filhos? A orientação da especialista é procurar inclui-lo em programas simples, como sessão de cinema, passeio no parque ou mesmo viagem de férias, para agradá-lo e, ao mesmo tempo, aumentar o tempo em que todos passam juntos. “Algo vai sensibilizar e fazer com que esse pai, mesmo aquele mais fechado, esteja mais próximo, o desafio é descobrir o quê. Tudo deve ser sempre feito com muito amor e carinho. Não pode ser uma imposição, senão dificulta bastante essa aproximação”, esclarece.
Todos ganham com a mudança de atitude: os pais se sentem realizados, as mães podem dividir as tarefas e os filhos ficam ainda mais próximos. “Antigamente, era a mãe quem resolvia tudo para o filho. O pai era a autoridade da casa e existia até um receio para conversar com ele. Hoje em dia, esse pai é amigo, presente e está muito mais aberto”, avalia Roneida. Quando o homem é participativo desde a gravidez, o som da voz dele pode acalmar o bebê. Mais tarde, essa aproximação é positiva para a criança, e principalmente para o adolescente, que pode contar com o apoio do pai e da mãe.

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